Como organizar seu fluxo de criação

Ideias para ter um fluxo criativo mais organizado usando Kanban na música

O assunto de hoje não está diretamente relacionado a música, mas que pode te ajudar a se organizar melhor com seus projetos – seja com banda, trilha sonora, gravação de álbuns ou o que for.

Se você for que nem eu, já passou muito tempo em inícios de projetos olhando para os lados, sem fazer ideia de por onde começar ou o que fazer depois de terminar esta ou aquela tarefa.

Vincent Vega

A ideia da metodologia Ágil, que eu vou falar muito por cima aqui, é ajudar a resolver esse tipo de situação e te jogar direto no que você precisa fazer. Ela é comumente usada em desenvolvimento de software, mas com algumas poucas adaptações pode fazer bastante sentido na música!

Pra começar, a gente vai usar o Trello. Existem outros serviços mais poderosos por aí, mas o Trello é gratuito e dá conta do recado tranquilamente pro que eu vou mostrar. 

Com o Trello, a gente consegue montar um Kanban, que é um quadro que ajuda a gente a visualizar o fluxo das tarefas. Você consegue saber em que ponto cada tarefa está (A Fazer, Trabalhando, Pausado, Concluído), e pode usar cores para organizar, por exemplo, as tarefas por tipo. Se você estiver organizando a produção de um disco, pode colocar as tarefas de composição em azul, as de gravação em verde e as de marketing e divulgação em amarelo, por exemplo.

Clique para abrir o quadro e faça uma cópia para poder editá-lo!

Também é possível organizar as colunas com status mais específicos. Ainda usando o exemplo do álbum, você pode ter cartões para cada uma das músicas e movê-las entre as colunas A Fazer, Composição, Demo/Rascunho, Gravação, Mixagem e Masterização. Ou usar outras colunas que sejam mais condizentes com o seu projeto.

Você também pode copiar este para editar

Esse tipo de recurso online é ótimo quando você tem várias pessoas trabalhando no mesmo projeto separadamente (numa banda, por exemplo), porque todo mundo consegue ver em que ponto está cada tarefa e consegue ver em que consegue trabalhar. Suponha que o vocalista e o guitarrista são os responsáveis pelas composições, o baterista pelos arranjos das demos e o baixista pela mixagem: com o quadro, cada um consegue “puxar” uma tarefa depois que ela foi concluída na etapa anterior. Mas se você for mais analógico e sempre trabalha no mesmo espaço que seus companheiros, um quadro físico pode ser igualmente útil.

A ordem dos cards também é importante. Priorize tarefas: as que estiverem mais para cima são as mais urgentes.

Marcar um prazo para cada uma das tarefas também é uma boa forma de estimular a criatividade, para algumas pessoas. Um compositor sem prazo tende a ficar olhando pro instrumento achando que nunca vai conseguir fazer nada de bom; com prazo, o objetivo é mais concreto e ele se sente estimulado a criar alguma coisa dentro daquele tempo. Tendemos a funcionar muito bem com restrições. Mas lembre-se sempre de usar prazos realistas, condizentes com o seu ritmo.

E, claro, em algum momento aquilo que você planejou vai dar errado. Não conseguimos prever o futuro, e por mais meticulosos que sejamos, algum imprevisto sempre aparece: uma música nova, alguém doente, um prazo que muda ou alguém que não conseguiu terminar uma tarefa no tempo previsto. Esteja flexível e aberto para lidar com isso!

Cuidado também para não colocar no quadro mais tarefas do que você dá conta. Isso pode ter o efeito reverso, ou seja, você pode ficar sem saber por onde começar ou achar que não vai dar conta de tudo. Comece simples.

Espero que essas ideias sejam úteis pra te ajudar a fazer suas músicas de maneira mais focada e com mais chances de sucesso!

Autor: Thiago Schiefer

Thiago Schiefer é um compositor de São Paulo. Focado principalmente em música e efeitos sonoros para games nos últimos anos, é compositor e sound designer na Tapps Games, a maior empresa brasileira de jogos para smartphones. Criou também todos os sons para jogos como Eliosi's Hunt e Drop Dead Twice. Em sua carreira solo, lançou dois álbuns: Prototype: Freedom (2013) e Living Room Sessions (2015).

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