7 carreiras possíveis na música

Uma geral em algumas das carreiras possíveis na música, para quem quer viver de música, mas tem medo de não conseguir ganhar o suficiente

Show de lançamento de Prototype: Freedom (foto: Lucas Trabachini)

Muitos músicos, iniciantes ou não, têm a vontade de seguir carreira. Muitas vezes pensamos apenas naquela possibilidade que nos levou à música, sem pensar que existem várias formas diferentes de viver disso – e, não raro, usamos mais de uma!

Vamos dar uma olhada em algumas das principais carreiras dentro da música:

  1. Trabalho autoral

Tocando ao vivo
Show de lançamento do meu primeiro álbum, Prototype: Freedom. Na foto, Matteo Papaiz na guitarra,Thiago Consorti no baixo e Pedro Torres na bateria. Foto por Lucas Trabachini

Ainda que muitos de nós (talvez a maioria) tenha começado na música pensando nisso, a verdade é que viver do seu trabalho autoral exige muito, muito tempo, esforço e dedicação. Inclua aí uma genuína vontade de se aprimorar continuamente, a paciência de treinar as mesmas músicas todos os dias, e ainda uma série de coisas que não são diretamente relacionadas a fazer música: a não ser que você tenha sido escolhido a dedo por um produtor (os casos são raríssimos), você vai ter que aprender a vender seu trabalho, marcar ensaios, conseguir casas de show para tocar, negociar cachê… E geralmente leva tempo para os frutos virem. Se estiver disposto a isso, não faltam exemplos de sucesso!

  1. Compositor(a) de trilhas sonoras

Home Studio
É comum compositores de trilha sonora trabalharem em seus home studios

Como compositor(a) de trilhas para cinema, games, TV ou publicidade, sua música não será feita “pra você”: ela servirá à mídia para a qual foi feita. Nesse sentido, você terá que criar com as limitações do tema escolhido pelo diretor do projeto, da emoção a ser veiculada em cada momento, do espaço disponível para a música (seja ele medido em tempo de cena ou em bytes de armazenamento num jogo mobile)… E, dentro dessas restrições, sua liberdade autoral vai até onde o diretor concordar! Pra mim, essas restrições são excelentes para estimular a criatividade.

  1. Professor(a)

Aula de violão
Dar aulas de música costuma ser uma ótima opção para quem toca bem um instrumento e sente facilidade em explica-lo

É difícil achar um autodidata “genuíno” na era do YouTube. A grande maioria dos músicos de hoje teve um mentor, seja numa sala de aula, seja num curso online ou em videoaulas na internet. Arrisco dizer que a maior parte dos músicos profissionais já deu aulas, e muitos mantêm o ensino como uma fonte de renda fixa enquanto trabalham numa carreira mais autoral, por exemplo. E, para alguns, o prazer de passar o conhecimento adiante se tornou a carreira principal! Poucas coisas são tão gratificantes quanto ver os frutos do trabalho dos seus alunos 🙂

  1. Músico acompanhante e/ou de estúdio

Tocando guitarra
Guitarrista, baixista, baterista, violonista… a maioria dos artistas solo precisa de pelo menos mais um músico para gravar e tocar ao vivo

Pense em cantores muito famosos – de Katy Perry a Roberto Carlos. Para gravar discos e fazer shows, eles precisam de a banda, certo? Aí entra esta categoria de músicos. Ambos os tipos precisam de uma técnica bem polida (ainda que não precisem ser necessariamente virtuoses em seus instrumentos) e versatilidade de estilos – afinal, podem aparecer trabalhos de sertanejo, rock, MPB, samba… E músicos de estúdio em geral também precisam ler partituras muito bem, já que muitas vezes o primeiro contato com a música que vão gravar é direto na sala de gravação.

  1. Youtuber

Gravação de vídeo
Não precisa de uma câmera deste nível para ser Youtuber! Mas é bom saber um pouco de filmagem.

Fazendo vídeos de música ou de qualquer outro assunto, aqui você vai disputar com um mar de concorrentes. Vai precisar também investir em equipamentos de gravação de áudio E de vídeo, e vai ter que estudar bastante sobre edição de vídeos. Além disso, sua ideia de canal tem que convencer muita gente – o YouTube paga por visualizações de anúncio, e cada visualização te rende milésimos de centavo. Pra realmente ganhar dinheiro com um canal, você vai precisar de muitos vídeos com dezenas de milhares de views. Ainda assim, é um trabalho muito gostoso de fazer, e pode servir de suporte a outra carreira principal, como professor(a) ou com seu trabalho autoral. E quem sabe você não faz o próximo vídeo viral de música?

  1. Compositor(a) de bibliotecas de música

Audiojungle
O site Audio Jungle é uma das bibliotecas de som mais acessadas, e é relativamente fácil subir conteúdo nele.

Pouca gente sabe que existe um negócio com grande potencial de renda: as bibliotecas de música. Imagine a seguinte situação: uma empresa que faz vídeos corporativos, por exemplo, precisa de música para o vídeo de treinamento de um cliente de baixo orçamento. Não há dinheiro para contratar um compositor que crie uma música exclusiva para aquele vídeo (e nem necessidade). Por um valor menor, eles podem comprar uma “trilha branca” – uma música livre de royalties feita para casar com emoções “padrão” (música “emotiva”, música “de ação”, música “romântica”…). Como essa música pode ser usada em várias mídias diferentes, a empresa paga um valor menor pelo uso e você pode lucrar vendendo a mesma música várias vezes. Evidentemente, trilhas de biblioteca não servem apenas para vídeos corporativos de baixo orçamento, mas são comumente usadas também em publicidade, rádio, programas de TV…

Muita gente vive apenas disso, e você nunca ouviu falar dessas pessoas! Bons lugares para começar a publicar suas trilhas são o Audio Jungle, a Jacarandá Licensing (criada pela mesma mente do nosso parceiro Pro Audio Clube) e a Unity Asset Store (exclusivamente para jogos).

  1. Engenheir@ de som

Mesa de som
Pilotar a mesa de som (ou a DAW) também é um trabalho muito criativo!

Nem só de tocar e compor vive o músico. Ainda que a carreira de engenheir@ de som não exija conhecimento sobre composição musical ou um instrumento, é certamente algo que atrai apaixonados pela área. Seu foco é em criar boas mixagens e/ou masterizações para trabalhos de diversos tipos de música, atingindo uma qualidade sonora profissional. É um trabalho que aplica a criatividade de forma diferente, na busca de soluções sonoras a partir de volumes, compressores, equalizadores, reverbs… Tudo isso, com sorte, dentro de um belo estúdio.

Vale dizer que várias das carreiras acima (compositor(a) de trilhas, de bibliotecas, youtuber) exigem um certo conhecimento nessa área, pois geralmente é o mesmo indivíduo que faz a música em todo o seu processo, da criação até o resultado final – pelo menos no início!


Claro que existem outras carreiras dentro do universo da música, inclusive na parte de negócios – procurei focar a lista em carreiras mais próximas do fazer musical em si. Sentiu falta de alguma? Deixe nos comentários!

Autor: Thiago Schiefer

Thiago Schiefer é um compositor de São Paulo. Focado principalmente em música e efeitos sonoros para games nos últimos anos, criou todos os sons para jogos como Drop Dead Twice e Staroids: The Odyssey. Também lançou trabalhos como cantautor: Prototype: Freedom (2013) e Living Room Sessions (2015).

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