MIDI não é som!

De programas de produção musical até sistemas de iluminação, entenda o que é MIDI e por quê ele é uma ferramenta extremamente útil para todo profissional da música

Pads de um controlador MIDI

“Ah, essa música tem mó sonzinho MIDI”…

Você já disse isso? Eu já, me referindo ao som que saía das caixas do meu computador quando ouvia músicas de jogos antigos (principalmente do Super Nintendo e do Playstation 1) ou quando abria o Guitar Pro, fosse pra tentar tirar alguma música ou pra compor as minhas primeiras.

Mas o fato é que MIDI não é som. E nem por isso deixa de ser uma das coisas mais importantes que você, como compositor(a), deve conhecer muito bem.

Controlador MIDI Impact LX 49+, da fabricante Nektar (foto: divulgação)
Controlador MIDI Impact LX 49+, da fabricante Nektar (foto: divulgação)

MIDI é sigla para Musical Instrument Digital Interface, ou Interface Digital para Instrumento Musical. O que um arquivo .mid transporta, na verdade, são informações (até por isso são arquivos muito pequenos). Essas informações serão então lidas por um software (seja um player de mídia, uma DAW, um programa de edição de partituras…) e convertidas em som, desde que haja um sintetizador sonoro ou sampler para fazer essa conversão.

Aquele “som MIDI” que eu perguntei no começo é, na verdade, criado por sintetizadores simples das placas de som antigas de PC (alguém se recorda das SoundBlaster?) e consoles de videogame antigos.

Eventos MIDI
Tabela com as informações carregadas pelo MIDI em um compasso simples de melodia

Enfim, lembra das propriedades do som? Pois é, elas são alguns dos elementos mais básicos que o MIDI veicula: altura da nota, duração (ou, mais especificamente, em que instante ela começa a tocar e em que instante ela termina), intensidade e timbre. Entre muitas outras.

MIDI no Reaper
Olha quantas propriedades o MIDI pode veicular!

Como a gente consegue transmitir um monte de informações num arquivo super compacto, o MIDI é muito útil pra compositores porque você pode, por exemplo, compor em parceria com alguém enviando um arquivo leve pra cada um editar.

Entradas, saídas e cabo MIDI
Entradas, saídas e cabo MIDI (foto: Pretzelpaws CC BY-SA 3.0)

Mas a GRANDE utilidade é que, como MIDI é um protocolo padrão (teclados, controladores, baterias eletrônicas e muitos outros instrumentos eletrônicos usam MIDI para se comunicar, fora a enorme maioria dos programas musicais), você ganha uma ferramenta poderosa pra gravar/escrever suas ideias numa DAW ou num editor de partituras ocupando um espaço ínfimo no computador.

Você também pode, por exemplo, compor alguma coisa num editor de partituras (como o MuseScore ou o Sibelius), exportar o MIDI e, depois, importar na sua DAW pra “vestir” cada linha com os timbres que quiser. Sim, o arquivo .mid também transporta informações de timbre, mas isso não te impede de transformar aquela linha escrita no piano em um synth malucão ou um pad macio com seus VSTs favoritos. Ou até pegar uma música escrita pra orquestra e trocar aqueles timbres meia-boca do programa original por samples orquestrais mais convincentes (assunto do vídeo da semana que vem).

Controlador MIDI APC40 mkII, da fabricante AKAI. Usado para funções diferentes dos controladores com teclas de piano (foto: divulgação)
Controlador MIDI APC40 mkII, da fabricante AKAI. Usado para funções diferentes dos controladores com teclas de piano (foto: divulgação)

Enfim, o MIDI é a base do trabalho da grande maioria dos compositores de trilhas sonoras (faz parte do meu dia-a-dia criando músicas e efeitos sonoros para jogos) e é muito útil pra todo mundo que faz música e quer mostrá-la para o mundo.

Vale comentar que o MIDI não é usado apenas para música – como protocolo de informações, já foi (e ainda é) usado para sistemas de iluminação em shows e peças teatrais, chamada de clipes (de áudio, vídeo ou o que for) por VJs e DJs, e até sistemas sofisticados de iluminação caseira.

E você, usa ou já usou MIDI pra fazer música? Comente abaixo!

Autor: Thiago Schiefer

Thiago Schiefer é um compositor de São Paulo. Focado principalmente em música e efeitos sonoros para games nos últimos anos, é compositor e sound designer na Tapps Games, a maior empresa brasileira de jogos para smartphones. Criou também todos os sons para jogos como Eliosi's Hunt e Drop Dead Twice. Em sua carreira solo, lançou dois álbuns: Prototype: Freedom (2013) e Living Room Sessions (2015).

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