Quem tem medo de teoria musical?

Por que o aprendizado de teoria musical não deve ser uma obrigação, nem uma coisa a ser temida

Partitura arcaica

Com a abertura das inscrições para a nova turma do curso Teoria Musical para Compositores (de hoje até a próxima segunda, dia 03!), perguntei despretensiosamente no Facebook qual o maior medo/frustração das pessoas em relação à Teoria Musical. Dá uma olhada em algumas das respostas:

Qual o maior medo/frustração de vocês em relação a teoria musical?
Algumas respostas para a pergunta “Qual o maior medo/frustração de vocês em relação a teoria musical?” no Facebook

Considere que temos respostas de músicos experientes e novatos. De todo modo, a gente percebe uma coisa muito clara: o termo teoria musical assusta. E isso me chateia um pouco, porque a teoria só está aí pra ajudar a gente a compor/tocar/cantar melhor – o que é uma coisa boa, não é?

Aprender teoria não deve ser uma obrigação, nem uma coisa a ser temida.

Então, neste post, queria tentar desmistificar alguns pontos:

#1. A teoria vai matar minha criatividade

Não vou ficar aqui colocando panos quentes e forçando que você deva pensar diferente. Algumas pessoas realmente podem sentir que aprender teoria lhes tirou a criatividade.

Gravando violão no home studio (foto: Fernanda Almeida)Eu prefiro pensar que a teoria lhes tirou um véu. Depois que a gente entende que, por exemplo, fazer uma sequência de acordes Mi menor – Dó maior – Ré maior é comum, quando a gente inventa algo que tenha essa sequência podemos achar que não somos mais criativos. Mas antes, quando a gente não sabia que era comum, tocar esses acordes podia parecer uma coisa incrível e original. Entende o que quero dizer?

O ponto mais importante aqui é o seguinte: a teoria musical veio depois da prática musical. Ou seja, ela surgiu pra tentar explicar (e organizar) o que as pessoas já estavam fazendo por conta própria.

Por exemplo, existem motivos acústicos pra gente achar um acorde “bonito” ou “feio”. Não à toa, muita gente já usava certos agrupamentos de notas de forma recorrente antes de resolverem inventar uma teoria. O que fizeram foi deixar a descoberta desses recursos mais fácil pra quem estava começando.

E uma vez que você saiba esses recursos todos, sua “caixa de ferramentas” ganha peças novas e você consegue explorar mais novidades ainda – encontrando as notas da sua cabeça com mais facilidade no instrumento e tendo consciência de quais criações suas são mais ou menos originais 🙂

#2. Partitura

PartituraPartitura serve pra gente escrever música, certo? Existem outros jeitos de se escrever música sem ser partitura: tablatura, o Piano Roll de uma DAW, cifras (pros acordes)…

Quem mexe com música erudita é meio que obrigado a ler partitura mesmo, afinal, é a linguagem universal que permite que um compositor passe suas ideias para os músicos que vão executá-la.

Pra um músico popular, a leitura/escrita de partitura é bem mais relevante se ele trabalhar como um músico de estúdio, por exemplo, ou acompanhando muitos artistas ou bandas.

De qualquer forma, pense que ler partitura é mais fácil que ler português. Sério! Olha a quantidade de acentos, preposições, estruturas gramaticais e tantas outras coisas que existem na nossa língua e que a gente consegue entender! A partitura só parece mais difícil porque nem todos nós tivemos contato com ela na infância (ao contrário da nossa língua), e porque a maioria de nós não lê partitura todo dia. Claro que tem alguns macetes pra facilitar, mas o processo é o mesmo que pra aprender qualquer língua: tem que ler bastante e “falar” bastante. E aceitar que é um processo não muito rápido, mas que só vai chegar num bom nível se você insistir e praticar.

#3. Termos difíceis

Partitura anotadaA música, como qualquer área do conhecimento, tem alguns termos específicos. Mas alguns podem assustar: desde “harmonia” e “acorde” até “semicolcheia” e “fermata”.

O importante, aqui, é se ocupar com uma coisa de cada vez. A teoria musical tem um monte de termos em italiano (porque foi lá o berço desse estudo), mas nem todos eles são importantes ao mesmo tempo e em todas as peças. Olhar um glossário de termos musicais pode fazer a gente achar que é impossível saber tudo, mas se a gente aprender uma coisa por vez, em pouquíssimo tempo já dá pra se comunicar facilmente com outros músicos de um jeito satisfatório 🙂

#4. Percepção musical e solfejo

Que que é isso?!?

Coral e cantora ao vivoPercepção musical é o treino do seu ouvido. Existem vários exercícios pra te ajudar a identificar intervalos, ritmos etc. só com os ouvidos – isso é útil tanto pra tirar músicas de ouvido, quanto pra escrever música (mesmo sem usar partitura!) e até pra tocar e cantar melhor (perceber se uma nota está desafinada, por exemplo, ou fora da batida).

Solfejo é a prática de ler uma partitura cantando as notas. Serve tanto pra treinar a leitura quanto pra internalizar os conceitos de ritmo (como as notas se distribuem no tempo), melodia (uma sequência de notas tocada ou cantada) e harmonia (sequências de acordes, ou seja, de notas simultâneas).

É útil? É. Bastante. Mas se você odeia fazer exercícios tradicionais de percepção, pode se dedicar, por exemplo, a tirar músicas. É um exercício fenomenal e muito mais divertido. Claro que as duas coisas funcionam melhor juntas e que fica bem mais fácil tirar músicas depois que sua percepção for aguçada por exercícios mais simples, mas ninguém é obrigado a fazer o que odeia…


Enfim, espero que este texto tenha te ajudado a ver o termo “teoria musical” como uma coisa menos terrível e mais amigável 🙂

Se você quer aprender teoria musical e criar suas próprias músicas, você pode começar gratuitamente com o e-book Essencial de Teoria Musical para Compositores.

Teoria Musical para CompositoresPra quem quer um estudo mais aprofundado, o curso Teoria Musical para Compositores tem uma abordagem leve e muito prática, porque eu acredito que s10ó vale a pena aprender essas coisas se você estiver realmente aplicando cada novo conhecimento nas suas próprias criações. E do jeito que eu comentei aqui: uma coisa de cada vez.

E você? Tem outro medo/frustração em relação à teoria musical? Deixe nos comentários!

Autor: Thiago Schiefer

Thiago Schiefer é um compositor de São Paulo. Focado principalmente em música e efeitos sonoros para games nos últimos anos, é compositor e sound designer na Tapps Games, a maior empresa brasileira de jogos para smartphones. Criou também todos os sons para jogos como Eliosi's Hunt e Drop Dead Twice. Em sua carreira solo, lançou dois álbuns: Prototype: Freedom (2013) e Living Room Sessions (2015).

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